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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Duas Mulheres


A primeira mulher vivia alegre porque o marido adivinhava tudo que ela queria. A segunda, justamente, por ele nem desconfiar.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Homem a Beira de um Ataque de Nervos





— Tive pesadelos outra vez. O que isto significa Dra. Sigmunda Fuad?
— Não tenho a menor ideia. Elabore, meu caro, elabore... 
— Sonhei que estava num lugar chamado "Tripa de Elite". Não é ato falho. Eu disse "tripa" mesmo.
—  Sua paixão pela gastronomia e cinema nacional é mesmo assombrosa. Consegue descrever o lugar? 
— É um restaurante gótico onde os garçons pintam as unhas com esmalte preto e oferecem um cardápio macabro. Todas as carnes servidas estão banhadas em sangue.
— Hum... Elementar meu caro Washington. Seu sonho está relacionado ao medo da morte.
— Medo? Como se eu fosse normal. Meu pesadelo parece um filme de terror. 
— Acalme-se. Até agora está mais pra filme B. O que acontece depois?
— Mando chamar o cozinheiro que diz ser vegetariano. Por isso batizou de "morte vermelha" a carne que sangra no prato.
— Além de vegetariano, este chef tem humor negro. Coerente para um "restaurante gótico".
— Não consigo mais comer carne, Dra. Sigmunda. Traumatizei. Veja. Estou tremendo. O que eu faço?
— Análise, meu caro. Muita análise. 

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 16 de julho de 2012

De Pernas Para o Ar




Esta é a história de Amanda Júlia. Arquiteta bem sucedida, dona de um corpo escultural, bonita e charmosa, sem mencionar o fantástico senso de humor. E não termina por aí. Para completar sua lista particular de desejos realizados, vive um tórrido romance com um homem incrível. Cenário quase perfeito. Sim. Quase. Afinal não poderia agradar gregos e troianos. Neste caso, principalmente certas troianas. Algumas amigas reclamavam de que ela sempre fora ausente. E, depois do novo amor, não queria mais saber de nada, nem de ninguém. Um dia, cansada das críticas (ou seria inveja?), Amanda Júlia pediu ao namorado que a fotografasse com as pernas para o ar. E enviou, para as amigas, a imagem com a legenda espirituosa: "Só assim as varizes me dão sossego".
(*) Imagem: Google

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vida Inglória de um Espião Depressivo



O salão abarrotado lembrava uma feira livre. Ao invés de barracas de verduras, escritores gritavam os títulos de seus livros. Um autor equilibrava-se em pernas gigantescas de madeira, enquanto urrava ao microfone: "Pague um, e leve dez".

A todo momento, uma sirene anunciava os preços em queda livre. Algumas pessoas corriam. Para não perder a barganha literária, uma delas quase levou meu ombro. No meio daquele cenário caótico, tive a sensação de ouvir alguém sussurrar. Observei ao redor. Lá estava ele. Em torno dos oitenta anos, pálido e magricelo, o escritor apontava a capa de seu livro. E completamente rouco repetia:

— Leia, leia, leia: "Vida inglória de um espião depressivo". O melhor romance policial do século. 

Sorri ao tentar imaginar a história atrás daquele estranho título. E, então, o ruído estridente do meu despertador, por um instante, lembrava o som daquela estranha sirene.

(*) Imagem: Google