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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Estranhos na Noite



Caminhei pela rua deserta, em mais uma noite abafada. Ele me esperava na esquina. Não sentia medo, mas uma excitação marcava minha pele num longo arrepio. Pensar no perigo tornava a respiração curta.  A verdade é que fui invadida por uma alegria inesperada e fora de lugar: minha sensação de vazio havia sido diluída por um estranho. Até aquele exato instante — além do anúncio no jornal e o brevíssimo contato por telefone — não sabia quem era o homem que me aguardava ali.  Ele estava encostado no muro de uma casa abandonada. Quando me aproximei, esmagou a ponta do cigarro no chão. Logo em seguida, acendeu outro. A fumaça saía de sua boca em golfadas rápidas. E então ele disse:

— Você não serve. Não tem medo nos olhos. Não me interessa.

Seu sadismo era um tiro certeiro na única fantasia que ainda restava. Sentei-me na calçada sem vontade de chorar. E o mundo, outra vez, parecia oco.



(*) ESTE CONTO É RESULTADO DE UM EXERCÍCIO PROPOSTO EM OFICINA LITERÁRIA




(*) IMAGEM: Google

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Notícias que Não Saem na Primeira Página


Perdeu família, casa e trabalho, mas mantinha os jornais por perto. À noite cobria-se com eles. Pela manhã lia como se ainda fosse o editor.


(*) Imagem: Google

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Em Mil Pedaços





(*) Imagem: Google


Era o segundo caso amoroso do marido. Desta vez não haveria perdão. De malas prontas, deixaria apenas um bilhete: aquele 
punhado de pedacinhos de papel espalhados sobre a mesa. E, então, a melhor amiga que tentava confortá-la, perguntou:
 Um bilhete aos pedaços?
 Ficou parecido comigo.