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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Mulher Honesta




  ― O que esperava de seu marido? 
 ― Ora, algo verdadeiro. Real, sabe? Mas não... Ele me cobre de mimos. Tudo que desejo, e até o que nunca imaginei que desejaria, está ao meu alcance como num passe de mágica. Eu sei bem o que ele quer: me enganar com essa tal felicidade. Nunca acreditei em pessoas felizes. Prefiro aquelas que quebram a cara. Pelo menos, parecem de verdade. Minhas melhores amigas, por exemplo, tiveram muitas experiências amorosas. Estão no terceiro casamento.  Uma já está no quinto. E eu? Casada com o primeiro namorado. Imagine minha situação quando me perguntam quantos ex-maridos eu tenho. Quer mesmo saber toda verdade? Se eu fosse uma mulher desonesta, teria pelo menos um amante. Um? Não.  Nem em hipótese eu ouso. Que tristeza!  Digamos três ou quatro ao longo deste casamento. Mas eu sou honesta. Entendeu? Eu sou honesta. Por isso procurei você... 
    Laura parou de falar. Precisava de fôlego. Do outro lado da mesa, o advogado fazia anotações em folhas timbradas, e num tom de voz brando que soava cúmplice, disse:
     ― Continue.
     Ela endireitou-se na poltrona, antes de concluir:
   ― Você precisa me ajudar a ter, pelo menos, um ex-marido.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As Mulheres de José Agildo




José Agildo casou-se duas vezes. Ao lado da primeira mulher viveu quinze anos debaixo de vários tetos porque Teodora Alice sofria de compulsão habitacional: não parava mais do que um ano na mesma residência. Um dia, cansado de tantos caprichos, rompeu o casamento. Dois anos mais tarde,  encontrou Valentina Jamile, aquela que seria apelidada por alguns de "esposa virtual" e por outros, "mulher fantasma". A segunda esposa, executiva de uma grande empresa, passava a maior parte do tempo viajando a trabalho. Naquela tarde, em conversa com o melhor amigo, admitiu que a ausência de Valentina Jamile já não o incomodava tanto. Diante da sugestão de partir para o terceiro casamento, José Agildo não titubeou:
— Enlouqueceu Antenor Francisco? Não nasci pra colecionador de sogras.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A Dor da Verdade



Ao reencontrá-lo numa festa, ao lado de outra, não era mais a separação que doía, mas a consciência de que ele nunca a amara.



(*) IMAGEM: Google

sábado, 16 de junho de 2012

A Liberdade é Rosa



Os vizinhos a viram pela última vez naquela tarde chuvosa: pés descalços, um vestido qualquer, nenhuma bagagem, além do buquê destroçado pelo ciúme doentio do marido. Saiu à rua. E dançava...

(*) Imagem: Google

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Muito Além do Ciúme


Odiava o passado amoroso do marido. Um dia, ele concluiu que tanto ciúme poderia fazer sentido. Rompeu o casamento e reatou com a primeira namorada.

(*) Imagem: Google

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ligados Pelo Silêncio



Não se falaram mais após o divórcio. Ela permaneceu leitora de seus livros como quem espia o buraco da fechadura à espera de uma pista, enquanto ele ainda escrevia para aqueles olhos.


(*) Imagem: Google

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Fim de Caso

(*) Imagem: Google



Deixou  a  janela  aberta  e  a  velha  chave  na porta. A partir    daquele    instante    nada  mais  precisaria  ser trancado, além daquela história.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sem Açúcar, Sem Afeto

(*) Imagem: Google



Inconformado  com a  separação,   engole  o  orgulho e pergunta  o  que  ela  viu  no  novo  amor. A  mulher  é direta:
– Como pessoa física ou jurídica?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Em Mil Pedaços





(*) Imagem: Google


Era o segundo caso amoroso do marido. Desta vez não haveria perdão. De malas prontas, deixaria apenas um bilhete: aquele 
punhado de pedacinhos de papel espalhados sobre a mesa. E, então, a melhor amiga que tentava confortá-la, perguntou:
– Um bilhete aos pedaços?
– Ficou parecido comigo.