Mostrando postagens com marcador tensão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tensão. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A História de Tuwillysson



      "Vai chamar Tuwillysson", decretara a mãe, depois do tal sonho sem pé nem cabeça que tivera na véspera do parto. Quarenta anos mais tarde, lá estava ele, sem muitas histórias para contar. Ao voltar a pé do trabalho naquele fim de tarde abafado, alguns metros antes da casa onde morava, uma mulher o chamou: 
        — Tuwillysson!
      Ouvir seu nome pronunciado sem qualquer hesitação era algo improvável. Além da família, e da namoradinha que o abandonara no segundo ano do colégio, ninguém mais acertava o dito cujo. E, agora, aquela voz feminina acabara de dizê-lo com uma naturalidade desconcertante. Teria ela voltado? Como o encontrara? Bastaria virar-se para descobrir. Ao invés disso, seguiu pela calçada fingindo não ser quem era. Os passos, bem atrás de si, traziam uma inesperada sensação de estar acompanhado. Logo ele, que não sabia mais o que era proximidade. Durante anos, colocara toda culpa de uma existência vazia na esquisitice do seu nome. Se ao menos não houvesse tanta beleza naquela voz de mulher ao dizer "Tuwillysson" teria sido mais fácil esconder-se da verdade: nada soava mais estranho do que seu ressentimento. Abriu o portão sem olhar para trás.
(*) IMAGEM: Google

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um Conto Minimalista




Sua vida era um labirinto. Uma história que — apesar das reviravoltas — retornava sempre ao ponto inicial: ela sozinha. Se ao menos fosse narcisista...

(*) Imagem: Google

domingo, 1 de julho de 2012

Jornal Emocional – Parte 1






Abriu o jornal e leu – apenas para conferir – se publicaram sem cortes...

Não estamos bem. Você sabe. Eu sei. Entretanto, a vida precisa seguir. Não adianta mais fazer de conta que tudo pode ser jogado pra debaixo do tapete. Tantos anos fariam nosso lindo persa – comprado à prestação – colar-se ao teto. Resolvi escrever (nem é muito, mesmo após uma década contigo) e publicar no jornal que assinamos. Por que o jornal? Nossas agendas estão lotadas e não há mais tempo entre um compromisso e outro. Até nos finais de semana. Então, já que estamos tão ocupados, talvez você leia por aqui mesmo, pela manhã, numa pausa entre a bicicleta e a musculação. 

Você e eu somos um caso sério, mas temo não sermos crônicos. E então o amor – que não é passaporte nem garantia – se desgasta quando não respira pelos caminhos da atenção e também da liberdade. E este é apenas um dos nós em nós. Somos independentes demais e, ao mesmo tempo, carentes. Queremos tudo. Não conseguimos mais nos contentar com o que é possível. Nossas fantasias e expectativas nos levaram para o Olimpo e nesse lugar, mortais não têm vez. Nem voz! Você não é meu Zeus. E eu não sou sua Juno. Nem estamos na idade da inconsciência e paixões imaturas. Então, Eros e Psique? Isto também não rola. Talvez, por isso, tenhamos ainda alguma chance. Somos humanos. E aprendemos alguma coisa. Pouco. Eu sei. Você sabe. Depende apenas de nós. Desatemos os nós? Ou nós?


(*) Imagem: Google



sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Sonho Não Acabou


Parada na porta do seu quarto, ali estava ela. Angelina Jolie. Por um momento, Ernesto Olívio sorriu como se estivesse consciente de que era apenas um sonho. No entanto aquela mulher deslumbrante continuava ao alcance de suas mãos, perfeita, numa pose sensual. Impossível resistir. 

Antes, porém, só por garantia — afinal, além de neurótico, nunca  deixou de ser precavido —, correu para o banheiro. Queria se certificar de que era ele mesmo do outro lado do espelho, e não o Brad Pitt. Neste exato instante, ouviu o som do despertador. Num ato reflexo de ódio jogou o relógio, que, por um triz, não acerta a cabeça de sua esposa. De volta ao banheiro, ao lavar o rosto, o terrível susto: Brad Pitt ria da sua cara, no espelho.

(*) Imagem: Google

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Amigo de Adolfo Valentino



Adolfo Valentino tinha um amigo que vivia mergulhado em problemas. No entanto, apesar de sempre procurá-lo, nenhum de seus conselhos era aceito. No final daquela tarde, exausto do trabalho diário, encontrou o insatisfeito de plantão, que — para variar — reclamava das adversidades insolúveis em sua vida. 

— Não aguento mais tantos dissabores. Preciso conhecer a paz. 

Diante daquela conversa sem saída, afinal nada do que dissesse faria sentido nem diferença, Adolfo Valentino — um homem prático por natureza —, após a vigésima repetição das palavras "conhecer a paz", concluiu:

— Atormentado desse jeito, nem na capital da Bolívia você irá conhecer "la paz". 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

sábado, 16 de junho de 2012

A Liberdade é Rosa



Os vizinhos a viram pela última vez naquela tarde chuvosa: pés descalços, um vestido qualquer, nenhuma bagagem, além do buquê destroçado pelo ciúme doentio do marido. Saiu à rua. E dançava...

(*) Imagem: Google

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Uma Mulher Indecisa



– Fala...
– Você não me entende.
– Não fala isso!

(*) Imagem: Google

Uma Mulher Econômica




Vivia contrariada por não conseguir toda atenção do marido. De tanto fazer bico, os lábios pareciam mais grossos. Economizou a plástica.

(*) Imagem: Google

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Brevíssima História de um Homem Tenso




Após sete anos em retiro espiritual no Tibet, não conseguia relaxar nem a sobrancelha.

(*) Imagem: Google