Clara era a garota que ninguém se recordaria numa reunião de ex-alunos. Naquela manhã os jornais noticiaram o terror espalhado no encontro de confraternização de sua antiga turma de colégio. Os sobreviventes tiveram dificuldade em reconhecer a colega – calada e retraída –, como a autora do massacre.
Estacionou o carro na garagem e, ao contrário do que seria usual, permaneceu ali, sentada ao volante, silenciosa. A roupa colada ao corpo tornava desconfortável o contato do tecido em sua pele. Fervia como água em ponto de ebulição, mas preferia dizer que o calor da cidade a deixava assim. Seus desejos emergiam na superfície da vontade e explodiam em nada. Evaporavam. Exausta e vazia entrou em casa.