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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Homem Impossível


João Ondulino casou-se duas vezes. Sua primeira mulher queria luxo e riqueza. A segunda, amor. Frustrou ambas. 


(*) Imagem: Google

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uma Senhora Ironia


― Presta atenção, querida. Afonsinho sempre gostou dos filés mal passados. Não esqueça: à mesa ele é muito exigente. Fora dela, nem tanto. Afinal, casou conosco.

(*) Imagem: Google

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Duas Mulheres


A primeira mulher vivia alegre porque o marido adivinhava tudo que ela queria. A segunda, justamente, por ele nem desconfiar.

(*) Imagem: Google

terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bolo Espera Marido





Ao folhear os antigos cadernos de sua avó, encontrou a receita do bolo "Espera Marido".  Uma nota de rodapé, na página amarelada, trazia a marca do senso de humor da melhor confeiteira da família.  A observação a lápis recomendava: "se ele demorar muito a chegar, sirva embolorado".




(*) IMAGEM: Google

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Mulher Honesta




  ― O que esperava de seu marido? 
 ― Ora, algo verdadeiro. Real, sabe? Mas não... Ele me cobre de mimos. Tudo que desejo, e até o que nunca imaginei que desejaria, está ao meu alcance como num passe de mágica. Eu sei bem o que ele quer: me enganar com essa tal felicidade. Nunca acreditei em pessoas felizes. Prefiro aquelas que quebram a cara. Pelo menos, parecem de verdade. Minhas melhores amigas, por exemplo, tiveram muitas experiências amorosas. Estão no terceiro casamento.  Uma já está no quinto. E eu? Casada com o primeiro namorado. Imagine minha situação quando me perguntam quantos ex-maridos eu tenho. Quer mesmo saber toda verdade? Se eu fosse uma mulher desonesta, teria pelo menos um amante. Um? Não.  Nem em hipótese eu ouso. Que tristeza!  Digamos três ou quatro ao longo deste casamento. Mas eu sou honesta. Entendeu? Eu sou honesta. Por isso procurei você... 
    Laura parou de falar. Precisava de fôlego. Do outro lado da mesa, o advogado fazia anotações em folhas timbradas, e num tom de voz brando que soava cúmplice, disse:
     ― Continue.
     Ela endireitou-se na poltrona, antes de concluir:
   ― Você precisa me ajudar a ter, pelo menos, um ex-marido.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As Mulheres de José Agildo




José Agildo casou-se duas vezes. Ao lado da primeira mulher viveu quinze anos debaixo de vários tetos porque Teodora Alice sofria de compulsão habitacional: não parava mais do que um ano na mesma residência. Um dia, cansado de tantos caprichos, rompeu o casamento. Dois anos mais tarde,  encontrou Valentina Jamile, aquela que seria apelidada por alguns de "esposa virtual" e por outros, "mulher fantasma". A segunda esposa, executiva de uma grande empresa, passava a maior parte do tempo viajando a trabalho. Naquela tarde, em conversa com o melhor amigo, admitiu que a ausência de Valentina Jamile já não o incomodava tanto. Diante da sugestão de partir para o terceiro casamento, José Agildo não titubeou:
— Enlouqueceu Antenor Francisco? Não nasci pra colecionador de sogras.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A Dor da Verdade



Ao reencontrá-lo numa festa, ao lado de outra, não era mais a separação que doía, mas a consciência de que ele nunca a amara.



(*) IMAGEM: Google

domingo, 5 de agosto de 2012

Noites de Julieta




Sua mais legítima felicidade não era segredo. Amava o cinema. Amava o marido. Não necessariamente nesta ordem. Muito menos em ordem.



(*) Microconto inspirado na imagem: 

Federico Fellini e sua esposa, a atriz, Giulietta Masina 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Amor Sustentável




Era tão devota daquele homem que, ao tropeçar na sua presença, ao invés de perder o chão e cair, levitava.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Outro Lado Da Noite




Se pudesse escolher, provavelmente não veria a menor graça naquela mulher. Mas Letícia era intensa como uma festa: uma alegoria das suas melhores lembranças. Com ela recordava o menino que deixara escapar da alma. 

No momento em que o telefone tocou, às duas horas da madrugada, não conseguiu conter o sorriso. Do outro lado da linha, a voz dela:

— Quero conversar.

— Tenho alguma opção além desta?

Ela riu antes de admitir: 

— Você sabe a resposta.

— Só não digo até quando. 

— Eu sempre estou por um triz contigo. E sem rede de segurança. 

— Isto é um pedido?

— Nunca peço nada.

Era verdade. Letícia não pedia. Exigente e fora de controle como uma criança insuportável que acredita ser o umbigo do mundo. E nada poderia atraí-lo mais. Por isso a mantinha a uma distância segura: um milímetro da beira do abismo.

— Faça isso agora. Peça uma coisa cara.

— Diamantes. 

— Desconheço o termo.

— Deve ser porque sou a única coisa brilhante em sua vida.

— Minha luz.

— Acende o abajur. 

E os dois sorriram, ao mesmo tempo, como quem coloca entre parênteses tantas noites solitárias.


(*) Imagem: Google

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Eduarda e Mônaco



Eduarda ouvia Roberto Carlos o dia inteiro, enquanto Mônaco, angustiado por natureza, lia Sartre o tempo todo. O mundo de Eduarda era outro: sem espaço para crises existenciais. Sempre que Mônaco repetia "o inferno são os outros", ela declarava que o segredo do sucesso era mandar tudo para o inferno. Naquela tarde, antes de ingerir o décimo sal de frutas do dia, ao observar a coleção de pinguins de porcelana, em cima da geladeira vermelha, Mônaco reclamou baixinho:

― Só os cafonas são felizes...


(*) Imagem: Google

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um Homem Sedutor




O mundo de Romero ­­ mais conhecido por Don Romerito ­­ poderia ser o paraíso da sedução. Diante da intensidade daquele olhar, as mulheres rendiam-se fascinadas. Tudo fluía num clima perfeito. Satisfação garantida desde que elas não esperassem nada além dos tórridos momentos de prazer. Por uma estranha coincidência (ou seria abençoada?), suas conquistas amorosas, após alguns encontros, conheciam outros homens, casavam e viviam felizes. As boas línguas diziam que Don Romerito ­­― o amante avesso a compromissos ­­ era devoto de um santo casamenteiro. 

(*) Imagem: Google

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Amor é uma Loucura



Ele: — Eu te amo.
Ela: — Ninguém é perfeito.
Ele: — Me dê mais uma chance.
Ela: — Eu não te amo mais.
Ele: — Ninguém é perfeito.

(*) Imagem: Google

quinta-feira, 12 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Casamento de Romeu e Julieta




― Chega de me enrolar, Romeu. Quanto tempo mais terei que esperar pelo nosso casamento?
― Apenas duas décadas, Julieta.
― Vinte anos? Enlouqueceu?
― O que são vinte anos pra quem terá toda a eternidade juntos?


(*) Imagem: Google

domingo, 1 de julho de 2012

Jornal Emocional - Final




NOTA: Essa é a segunda e última parte do conto "Jornal Emocional". A primeira parte está na publicação anterior.



Ele escreve o primeiro nome no lugar da assinatura, e lê mais uma vez...

Discutir relação não é o meu forte. Você bem sabe: foram precisos quatro meses para digerir sua carta aberta com nosso amor no jornal. Tenho direito (ou seria dever?) à resposta, mas a verdade é que apesar de não ser certo presidente, não sei nada quando o assunto somos nós. Haja nós! Confesso minhas defesas mornas e bizarras. Fiz do caminho uma planilha onde aparecem as tais prioridades pra tocar a vida, minha cara, meu amor, minha amiga. É o que procuro fazer entre a ginástica e os mil compromissos de quem trabalha em televisão. Você casou sabendo que não haveria fim de semana garantido. Nem dia santo.

Entretanto está coberta de razão: casamento complicado... E estamos, neste barco, conscientes de que amor não é passaporte. Remamos para lados opostos e não vamos mais a lugar algum. A paisagem não muda, nem nossos problemas tão antigos, sempre iguais. Essa mesmice poderia ser reconfortante como uma agenda segura que, enfim, indica a hora de voltar pra casa. Olho o relógio. Há anos não chego cedo. Tanto tempo que não temos tempo. E-mails não compensam minha ausência, mas mesmo assim, escrevo pra desejar bom dia, mando um beijo e envio a mensagem. E ainda que soe piegas, não estou pronto pra dizer adeus, enquanto você não parece disposta a esperar. 

E agora? O que faço deste bilhete rabiscado com palavras perdidas? Poderia jurar ter escutado tua voz rouca: 

― Envie para o jornal.

(*) Imagem: Google

Jornal Emocional – Parte 1






Abriu o jornal e leu – apenas para conferir – se publicaram sem cortes...

Não estamos bem. Você sabe. Eu sei. Entretanto, a vida precisa seguir. Não adianta mais fazer de conta que tudo pode ser jogado pra debaixo do tapete. Tantos anos fariam nosso lindo persa – comprado à prestação – colar-se ao teto. Resolvi escrever (nem é muito, mesmo após uma década contigo) e publicar no jornal que assinamos. Por que o jornal? Nossas agendas estão lotadas e não há mais tempo entre um compromisso e outro. Até nos finais de semana. Então, já que estamos tão ocupados, talvez você leia por aqui mesmo, pela manhã, numa pausa entre a bicicleta e a musculação. 

Você e eu somos um caso sério, mas temo não sermos crônicos. E então o amor – que não é passaporte nem garantia – se desgasta quando não respira pelos caminhos da atenção e também da liberdade. E este é apenas um dos nós em nós. Somos independentes demais e, ao mesmo tempo, carentes. Queremos tudo. Não conseguimos mais nos contentar com o que é possível. Nossas fantasias e expectativas nos levaram para o Olimpo e nesse lugar, mortais não têm vez. Nem voz! Você não é meu Zeus. E eu não sou sua Juno. Nem estamos na idade da inconsciência e paixões imaturas. Então, Eros e Psique? Isto também não rola. Talvez, por isso, tenhamos ainda alguma chance. Somos humanos. E aprendemos alguma coisa. Pouco. Eu sei. Você sabe. Depende apenas de nós. Desatemos os nós? Ou nós?


(*) Imagem: Google



sábado, 30 de junho de 2012

O Rei das Mulheres



Henrique Otávio tinha duas mulheres e seis amantes. Um dia decidiu que iria sustentar todas elas. Perdeu a cabeça.


(*) Imagem: Google

A Sombra do Silêncio



Um deserto ocupou lentamente o espaço do que teriam a dizer um ao outro. Tudo era morno, sem gosto e igual. 


(*) Imagem: Google