Mostrando postagens com marcador ironia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ironia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Um Homem Sincero



Foram apresentados rapidamente numa festa. Uma semana depois, encontraram-se por acaso em três lugares diferentes. Ela resolveu puxar conversa:

– É a terceira vez que esbarramos um no outro e eu ainda não sei coisa alguma da tua vida.

– Não perdeu nada.





(*) IMAGEM: Google

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Uma Mulher Sincera



Na saída do cinema avistou um amigo que sorriu ao cumprimentá-la:

– Tudo bem?

Diante da pergunta corriqueira, a mulher repetiu mentalmente aquelas duas palavras com um misto de estranheza e ironia. A inesperada sinceridade deu o tom da resposta:

– Pergunta difícil pra uma neurótica assumida...

(*) Imagem: Google

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uma Senhora Ironia


― Presta atenção, querida. Afonsinho sempre gostou dos filés mal passados. Não esqueça: à mesa ele é muito exigente. Fora dela, nem tanto. Afinal, casou conosco.

(*) Imagem: Google

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Duas Mulheres


A primeira mulher vivia alegre porque o marido adivinhava tudo que ela queria. A segunda, justamente, por ele nem desconfiar.

(*) Imagem: Google

terça-feira, 9 de outubro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Só Abro a Boca Quando Não Tenho Certeza




Durante o voo que me levava a Portugal em minha primeira viagem ao exterior, quando o comissário passou com o carrinho que vendia artigos de free shop, enlouquecida de ansiedade, imaginei ter visto aquelas pequenas caixas onde se guardam terços. Minha família havia pedido alguns, então, disse ao moço que queria meia dúzia dos santinhos. O funcionário do avião olhou espantado para os objetos que eu apontara. E respondeu com charmoso sotaque português:

— O único santinho aqui sou eu.

O que pensei ter visto, na verdade, eram isqueiros.

(*) Imagem: Google

A Doce Vida




Para voltar a Roma, nada de moedas na Fontana di Trevi. Preferia outro caminho. Ao encontrar um belo romano, suspirava e dizia: "Ave, César"! 


(*) Imagem: Marcello Mastroianni e Anita Ekberg em "La Dolce Vita" de Federico Fellini

Homem a Beira de um Ataque de Nervos





— Tive pesadelos outra vez. O que isto significa Dra. Sigmunda Fuad?
— Não tenho a menor ideia. Elabore, meu caro, elabore... 
— Sonhei que estava num lugar chamado "Tripa de Elite". Não é ato falho. Eu disse "tripa" mesmo.
—  Sua paixão pela gastronomia e cinema nacional é mesmo assombrosa. Consegue descrever o lugar? 
— É um restaurante gótico onde os garçons pintam as unhas com esmalte preto e oferecem um cardápio macabro. Todas as carnes servidas estão banhadas em sangue.
— Hum... Elementar meu caro Washington. Seu sonho está relacionado ao medo da morte.
— Medo? Como se eu fosse normal. Meu pesadelo parece um filme de terror. 
— Acalme-se. Até agora está mais pra filme B. O que acontece depois?
— Mando chamar o cozinheiro que diz ser vegetariano. Por isso batizou de "morte vermelha" a carne que sangra no prato.
— Além de vegetariano, este chef tem humor negro. Coerente para um "restaurante gótico".
— Não consigo mais comer carne, Dra. Sigmunda. Traumatizei. Veja. Estou tremendo. O que eu faço?
— Análise, meu caro. Muita análise. 

(*) Imagem: Google

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um Conto Minimalista




Sua vida era um labirinto. Uma história que  apesar das reviravoltas  retornava sempre ao ponto inicial: ela sozinha. Se ao menos fosse narcisista...

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bolo Espera Marido





Ao folhear os antigos cadernos de sua avó, encontrou a receita do bolo "Espera Marido".  Uma nota de rodapé, na página amarelada, trazia a marca do senso de humor da melhor confeiteira da família.  A observação a lápis recomendava: "se ele demorar muito a chegar, sirva embolorado".




(*) IMAGEM: Google

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Mulher Honesta




  ― O que esperava de seu marido? 
 ― Ora, algo verdadeiro. Real, sabe? Mas não... Ele me cobre de mimos. Tudo que desejo, e até o que nunca imaginei que desejaria, está ao meu alcance como num passe de mágica. Eu sei bem o que ele quer: me enganar com essa tal felicidade. Nunca acreditei em pessoas felizes. Prefiro aquelas que quebram a cara. Pelo menos, parecem de verdade. Minhas melhores amigas, por exemplo, tiveram muitas experiências amorosas. Estão no terceiro casamento.  Uma já está no quinto. E eu? Casada com o primeiro namorado. Imagine minha situação quando me perguntam quantos ex-maridos eu tenho. Quer mesmo saber toda verdade? Se eu fosse uma mulher desonesta, teria pelo menos um amante. Um? Não.  Nem em hipótese eu ouso. Que tristeza!  Digamos três ou quatro ao longo deste casamento. Mas eu sou honesta. Entendeu? Eu sou honesta. Por isso procurei você... 
    Laura parou de falar. Precisava de fôlego. Do outro lado da mesa, o advogado fazia anotações em folhas timbradas, e num tom de voz brando que soava cúmplice, disse:
     ― Continue.
     Ela endireitou-se na poltrona, antes de concluir:
   ― Você precisa me ajudar a ter, pelo menos, um ex-marido.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Impaciente Inglês



Um trovão rompe o silêncio e desperta lembranças:
― Sonhei outra vez com sombras. O que isso quer dizer, doutora Sigmunda?
― Elabore o sonho, meu caro. Não sou vidente, apenas psicanalista.
― Desde menino tenho esse pesadelo. Estou num quarto escuro, um temporal desgraçado lá fora e a porta bate. Quando um relâmpago ilumina o céu, vejo sombras na janela. E grito. Grito muito.
― Lembra o que diz nestes gritos?
― "Ah"! E depois, "Oh"!
― O que sente ao ver as sombras?
― Pânico. Acho que é trauma de...  Ouviu isso? Escutei passos na sala de espera, mas sou o último paciente de hoje. Estamos só os dois aqui.
― Acalme-se. Voltemos às sombras. Lembra de algo ao pensar nelas?
― Oh my Freud! Digo, doutora Sigmunda Fuad. Ouvi outro barulho. Estou alucinando? Enlouqueci de vez? Qual o sentido?
― Elementar, meu caro Washington. Você está num ponto crítico da análise. As defesas frágeis. Por isso, projeta sombras no mundo exterior. Fantasias que não existem a não ser em seu imaginário...
O som de outro trovão assusta o paciente. As luzes do consultório se apagam. A porta é arrombada. Surge o vulto de um homem encapuzado, e sua voz vibra sombria:
― É um assalto.
Aos berros, Washington pula do divã, e pendura-se no pescoço do ladrão:
― Obrigado. Você me salvou. Não estou louco...


(*) Imagem: Google

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As Mulheres de José Agildo




José Agildo casou-se duas vezes. Ao lado da primeira mulher viveu quinze anos debaixo de vários tetos porque Teodora Alice sofria de compulsão habitacional: não parava mais do que um ano na mesma residência. Um dia, cansado de tantos caprichos, rompeu o casamento. Dois anos mais tarde,  encontrou Valentina Jamile, aquela que seria apelidada por alguns de "esposa virtual" e por outros, "mulher fantasma". A segunda esposa, executiva de uma grande empresa, passava a maior parte do tempo viajando a trabalho. Naquela tarde, em conversa com o melhor amigo, admitiu que a ausência de Valentina Jamile já não o incomodava tanto. Diante da sugestão de partir para o terceiro casamento, José Agildo não titubeou:
— Enlouqueceu Antenor Francisco? Não nasci pra colecionador de sogras.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Discreto Charme da Loucura




Nada abalava sua discrição. Nem mesmo os surtos. Há dois anos ele acreditava ser um rei deposto que vivia no exílio. E sem nenhuma glória.


(*) Imagem: Google

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Amor Sustentável




Era tão devota daquele homem que, ao tropeçar na sua presença, ao invés de perder o chão e cair, levitava.

(*) Imagem: Google

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Onde Foi Parar o Final Feliz?




― Cara, nas tuas histórias tudo sempre acaba mal. Por que não escreve uma diferente?

― Você tem razão. Vou mudar isso. Na próxima tudo vai começar mal.


(*) Imagem: Google

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Eduarda e Mônaco



Eduarda ouvia Roberto Carlos o dia inteiro, enquanto Mônaco, angustiado por natureza, lia Sartre o tempo todo. O mundo de Eduarda era outro: sem espaço para crises existenciais. Sempre que Mônaco repetia "o inferno são os outros", ela declarava que o segredo do sucesso era mandar tudo para o inferno. Naquela tarde, antes de ingerir o décimo sal de frutas do dia, ao observar a coleção de pinguins de porcelana, em cima da geladeira vermelha, Mônaco reclamou baixinho:

― Só os cafonas são felizes...


(*) Imagem: Google

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um Homem Sedutor




O mundo de Romero ­­ mais conhecido por Don Romerito ­­ poderia ser o paraíso da sedução. Diante da intensidade daquele olhar, as mulheres rendiam-se fascinadas. Tudo fluía num clima perfeito. Satisfação garantida desde que elas não esperassem nada além dos tórridos momentos de prazer. Por uma estranha coincidência (ou seria abençoada?), suas conquistas amorosas, após alguns encontros, conheciam outros homens, casavam e viviam felizes. As boas línguas diziam que Don Romerito ­­― o amante avesso a compromissos ­­ era devoto de um santo casamenteiro. 

(*) Imagem: Google